| Barend Limoenman, filho de judeus Holandeses e operário do ramo da joalheria, pedia a mão em casamento de Netje Rooseboom, que era filha de um próspero comerciante de relógios, mas este só consentiu o casamento desde que ele modificasse o apelido, que o futuro sogro achava "demasiado pitoresco" e foi assim que Barend passou de Limoenman (homem dos limões) para Citroën (limão em Holandês). Do casamento nasceram 14 filhos.
Um destes filhos, Levie Barend Citroën foi para Varsóvia onde casou com Masza Amalia Kleinmann, tendo de seguida ido viver para Paris, onde a 5 de Fevereiro de 1878 nasceu o 5ºfilho chamado André Gustave Citroën.
Em 1900 após terminar os seus estudos na escola politécnica, foi à Polónia visitar uma irmã e descobriu lá um processo revolucionário de talhar, em ferro fundido, engrenagens em forma de V invertido.
Voltou a França para cumprir o serviço militar e em 1905 criou a que anos mais tarde se tornaria Sociedade Anónima de Engrenagens Citroën, que fabricava as engrenagens com o formato que viria a ser reproduzido no símbolo da marca.
A partir de 1908 ainda teve tempo para recuperar a Sociedade de Automóveis Mors, e também teve um papel importante na 1ªguerra mundial, tendo construido uma fábrica que produziu 23 milhões de obuses, que foram muito importantes para a vitória das forças Aliadas.
Em 1919 anunciou que iria fabricar o primeiro automóvel Francês produzido em série, prometendo fabricar 100 por dia. Na altura ninguém acreditou, mas 2 anos depois já fabricavam 300 por dia.
André Citroën estava a mudar o estilo de vida dos Franceses, permitindo-lhes ter a liberdade de ir e vir em quatro rodas.
André Citroën durante a sua infância acompanhou a construção da Torre Eiffel tendo ficado fascinado com o fogo de artificio da sua inauguração. E a 4 de Julho de 1925 a torre transformou-se num archote luminoso, seguido de um pontilhado luminoso de centenas de estrelas que se transformaram em cometas, num grandioso espectáculo pirotécnico, que após uma explosão deslumbrante fez surgir na torre o nome CITROËN, tal como André terá sonhado a ver a inauguração.
De 1919 até 1934 a Citroën criou tudo no campo automóvel. Foi a primeira marca a utilizar o salão automóvel como uma arma comercial, promoveu os Test-drive, editou um dicionário de reparações e lançou a garantia de 1 ano, revisão gratuita, venda a crédito e uma seguradora do ramo automóvel.
Estava-se a entrar num período de crise e havia necessidade de se inovar mais. Foi então que André Lefébvre entrou para a Citroën em 1933 trazendo consigo novas ideias no campo da mobilidade, relacionada com a leveza e o centro de gravidade avançado e baixo, assim como na aerodinâmica.
Com a sua entrada nascia um dos modelos mais revolucionários da história da marca: A Traction Avant (em Portugal conhecida por arrastadeira). Após um ano e meio da entrada de Lefébvre, e ao contrario dos 5 anos habituais na época, um protótipo já circulava nos arredores de Paris.
Cerca de um ano depois, a 3 de Julho de 1935, André Citroën faleceu vitíma de um tumor no estomâgo, tendo deixado como sendo a sua ultíma grande citação o seguinte:"O automóvel não é um instrumento de luxo, mas essêncialmente um instrumento de trabalho, é preciso melhorar-lhe a qualidade e reduzir-lhe o preço. Tornando-se gradualmente o senhor dos transportes, igualmente indispensável no transporte de mercadorias, o automóvel está a entrar numa fase popular e democrática".
O seu sucessor foi Pierre Boulanger, que tinha a ideia fixa de democratizar o automóvel.
O Traction Avant foi apresentado formalmente à imprensa em Abril de 1937, que o considerou como "audacioso, rico em soluções originais, diferente de tudo o que tinha sido feito até então", e recebeu o tratamento de sensacional!
Em Outubro, quando o Salão de Paris abriu foi o triunfo. No stand Citroën só havia Traction: o 7A, o 11 e o 22, nos modelos berlina, limousine, coupé e cabriolet!
Os especialistas tomavam nota das inovações: carroçaria monobloco toda em aço, trem dianteiro montado em blocos silenciadores, linha aerodinâmica, supressão de estribos, suspensão por barras de torção e amortecedores hidráulicos, rodas independentes, motor com martelos e válvulas à cabeça, camisas amovíveis, motor suspenso, caixa de velocidades sincronizadas, comandos no tablier e comando das luzes junto ao volante, este ultímo por sugestão de Mme. Citroën. Estava-se perante o automóvel do futuro, e uma vez mais a aposta foi ganha.
O Traction foi fabricado até 1957, mas após o seu sucesso e a produção ter entrado em "velocidade de cruzeiro" Boulanger lançou o novo desafio para a democratização do automóvel:"montar quatro rodas debaixo de um chapéu de chuva".
Os primeiros protótipos começaram a rodar em 1938, e até à 2ª guerra mundial rebentar foram produzidos 250, tendo com o início da guerra sido todos destruídos, excepto 4, que se tenha conhecimento, que chegaram aos nossos dias.
No Salão de Paris de 1948 estava tudo impaciente à espera do novo "escândalo". E ele apareceu. Aspecto insólito, motor de 2 cilindros opostos sem junta da cabeça e arrefecimento por ar, sem distribuidor, 375cc, suspensão com interacção frente-trás, rodas independentes e consumo de 4,5lts/100km's.
O 2CV foi apresentado, e pela sua simplicidade e soluções técnicas, e principalmente pela economia de custos de produção, muito importantes num período pós-guerra, o 2CV veio dar resposta a uma nova filosofia de transporte individual.
O 2CV foi produzido desde 1948 até 1990, tendo sido fabricados mais de 4 milhões, tornando-se num dos automóveis mais populares de sempre, tendo ainda tornado-se num objecto de culto e um modo de vida.
No salão de Paris de 1955, mais uma vez a Citroën chamou a si todas as atenções com o que ainda hoje é considerado um dos mais extraordinários produtos da industria automóvel: O Citroën DS (conhecido cá como o Boca-de-Sapo).Com as suas linhas aerodinâmicas inovadoras, que deram o prestígio ao designer Bertoni, a sua suspensão hidropneumática, o modelo foi ovacionado como "revolucionário, genial e até transcendente".
Em menos de uma hora já tinham sido feitas 750 encomendas de DS, um record absoluto, como nunca foi visto no salão. As inovações que mais davam nas vistas eram o volante de um só braço, direcção assistida, os piscas no alto da carroçaria, comando de travão por botão, travão de estacionamento comandado pelo pé, via da frente mais larga que a trazeira, roda com porca central, etc.
A Citroën, com o DS, mais uma vez criava uma nova era!
Em 1970 ainda sob o efeito do sucesso do DS a Citroën lança um modelo de altas prestações, com que André Citroën já sonhava nos anos 30, o SM que atingia uns fabulosos 228km's/hora.
Talvez por todos estes factos a Citroën seja a marca, no meio de tantas outras, que tenha conseguido criar um maior número de apreciadores e adeptos ao longo da história: Os CITROËNISTAS!
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